Armindo Trevisan:
Os poemas desta coletânea de Roberto Zwetsch não devem apenas ser lidos; devem, também, ser saboreados na sua polpa exterior, e na sua polpa interior. A simplicidade de vida do poeta, sua corajosa opção pelos indígenas, obrigou-o, em várias ocasiões, a ser mais orante do que falante. Que elogio mais discreto se poderia fazer a esse poeta?
A poesia de Zwetsch é comparável a uma criada anônima e elegante da Teologia. Ela se apresenta portadora de um vaso de alabastro, em cujo bojo se oculta o Mistério. Este mantém-se à espreita de cada palavra e, sobretudo, de cada silêncio, verdadeiramente vivenciados pelas pessoas, tanto em lábios puros como em lábios impuros.
Em determinados momentos, é visível e audível a expressão literária de seus versos. Por exemplo, Democracia: A palavra de outro / Escutada / Eerguida como sinal; ou “Até Quando, Senhor” (no qual a corda do coração ferido do autor vibra, à semelhança de um violão a chorar num galpão onde à noite só dormem mendigos e cães...).
Sim, caro poeta: anima-nos encontrar em teu livro poemas de Esperança evangélica como “Páscoa, Travessia”! Desse poema realço em especial os magníficos versos: Como o voo esplêndido da garça branca / sob o céu azul da compaixão de Deus. É uma imagem tocante da ternura divina.
Se alguém desejar descobrir o ideal poético de Roberto Zwetsch, medite sobre os versos que ele se digna oferecer-nos (maçãs apanhadas num pomar nas quais ainda cintila o orvalho que as cobriu de madrugada):
Título: Como alcançar o céu / ignorando o cheiro da terra?
Título: Se se cala a Voz do Vento / o que se ouvirá na canção?
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